O Yoga e a meditação são instrumentos que nos fazem perceber a importância da prática da presença no momento presente, revelando seus efeitos benéficos de “re-ligar” mente e corpo.

Durante uma hora, aproximadamente, somos convidados a seguir nossa respiração e trazê-la de vota ao corpo sempre que nos percebamos distraídos. Com essa âncora, recebemos instruções que nos levam a posturas psicofísicas (são posições para o corpo e para a mente realizarem em conjunto) que chamamos de Ásanas. No ocidente, o yoga parece ser como belas e performáticas posições que poucas pessoas poderiam fazer; como colocar os pés na cabeça, ou torcer o corpo equilibrando-se sobre um dos pés.
Essa é uma ideia equivocada e por vezes desanima o aluno de antemão. A prática implica em unir postura e respiração; reunir corpo e mente no agora. As diversas posturas ou ásanas, tem variações de grau de intensidade a que se pode alcançar com a constância e frequência da prática, já que o corpo vai se flexibilizando, e isso é extremamente individual porque depende das condições que são peculiares a ergonomia de cada corpo e mente de cada participante. Cada corpo e cada mente, são únicos!
Durante a prática, somos então, direcionados numa sequência crescente de posturas e exercícios respiratórios (os pranayamas), conjuntos ou não, onde cada aula é única também. Treinamos trazer a mente para o corpo, educando, paulatinamente nossos sentidos e apaziguando nossas emoções. Eis o sentido! A prática torna-se um meio e não um fim em si; sem resultado a alcançar. E por isso, não se trata de performar, mas de se auto estudar nessa presença.
A prática de auto-observação proposta pelo yoga, nos faz abrir os “olhos internos”, nossa percepção; nos faz corporificar a compreensão de que somos inteiros e precisamos aprender a reunir a mente ao corpo deixar a mente onde o corpo está, buscando uma permanência tranquila no “agora”. Aprendemos a tocar o ponto dentro de nós, onde conseguimos a estabilidade e segurança que aprendemos a mirar fora, de encontrar estabilidade interna no movimento da vida que não cessa.
Tal qual como os surfistas: aprendendo a encontrar estabilidade no movimento incessante das ondas. A vida é constante transformação e mudança e é preciso que nos familiarizemos com essa verdade da nossa existência como seres humanos para que possamos fluir com ela.
Nesse sentido, podemos compreender por que pessoas em situações tão terríveis podem estar pacificadas internamente, tão tranquilas apesar do entorno. A realidade de um entorno que nos influencia, conhecemos bem; mas o que nos falta é saber como nós a partir de dentro de nós mesmos, podemos nos influenciar positivamente para a busca de uma harmonização.
É preciso que nos reconheçamos primeiramente a partir da nossa Humanidade, que interliga a todos nós, e partir dela revelar nossa pessoalidade, nossa identidade singular. Desse modo, cada um de nós se manifesta no mundo como essa mescla linda de humanidade e singularidade, podendo apenas deixar sua marca original no mundo, de modo a estabelecer uma troca saudável e tornando o entorno um lugar muito mais interessante e divertido para todos.
O despertar dessa conscientização, é o objetivo. O que podemos alcançar são diversas capacidades adormecidas ou atrofiadas: treinar a permanência tranquila que se traduz em calma, paciência e perseverança, perceber-se presente e inteiro no aqui e agora que se traduz em clareza mental e discernimento, desenvolver nossa habilidade de se concentrar que se traduz em ser mais capaz de focar a atenção e permanecer estável. É o desenrolar de um novelo, porque a presença de cada uma dessas habilidades se fortalece mutuamente com o treino.
Compartilho aqui, que em determinado ponto da vida, deparei-me com o tema da morte e finitude; destino nosso como Ser Humano de passagem por aqui. Uma doença que necessitava de tratamento agressivo, mas necessário. Naquele momento, conectei-me com os livros de Ssa. XIV Dalai Lama Tenzin Gyatso, descobria os conceitos e a filosofia Budistas. Daí em diante, também entrei em contato uma ferramenta que foi fundamental para minha transformação daquele momento difícil aos 28 anos de idade. O fato mais importante que marcou essa época, foi que, por conta de tais inquietações havia conhecido a prática do yoga e a meditação, que foram e são instrumentos fundamentais para a construção das possibilidades de bem-estar naquela época e até hoje. Eles me fariam perceber o ponto definitivo de estabilidade que existe dentro de nós, o ponto onde me encaixo e tomo asseto em mim mesma; o ponto de segurança aonde retornar e descansar e onde se estabilizar, harmonizar, enquanto lido com a realidade que se apresenta, para então escolher a melhor resposta, a melhor escolha para o momento.
Quando nos encontramos abertos e positivos, querendo respostas, e se estamos conscientes e desejosos, podemos nos conectar com “sinais” no caminho. E as oportunidades para despertarmos, estarão sempre se apresentando diante de nós mesmos se sigamos desavisados; em algum momento elas nos tocarão!
Eis aí a mágica invisível do viver!
Vamos acordar!
Vamos treinar essa forma sensível de atenção!